Seg 19 Out 2009

Todo artista tem que ir aonde o povo está

por Alex Araujo

Por Gustavo Garde*

Quando o Seychelles foi convidado a tocar no “Rock na Vitrine”, evento promovido pela Galeria Olido com curadoria do lendário Luiz Calanca (selo Baratos Afins), senti grande satisfação e uma sutil piada do destino – algo como: “o que normalmente sobra para o rock independente é o underground, o inferninho, a meia luz, as madrugadas. E agora vamos para a vitrine do rock! Parece shopping. Decididamente, é a nossa ascensão social!”

Fora isso, o que aconteceu no ultimo sábado no espaço da Vitrine de Dança, na Galeria Olido, foi um encontro interessante entre o art rock  paulistano do Seychelles e o povo de sua cidade. Gente que foi para assistir à banda, gente que estava só passando, famílias, moradores de rua, artistas, crianças, turistas, malucos, trabalhadores. Um ótimo termômetro para a medir a reação d o público fora do nosso habitat.

O mais interessante de tudo é perceber, na prática, o caráter e o apelo universal do rock.  Dos 8 aos 80, o brilho nos olhos de quem assiste é um só. Você sente a energia da platéia ajudando a sustentar as melodias, as harmonias, agudos, médios e graves da banda. Experiência de catarse coletiva, celebração dionisíaca. Em alguns momentos, o público ameaçava acompanhar o ritmo da banda com palminhas, estilo programa de auditório. Você sentia a empolgação e a expectativa no ar. Mas, talvez, as mudanças bruscas de dinâmica musical  e as letras reflexivas - marcas do Seychelles -, tendiam a inibir esse impulso expontâneo. É uma pena.

Nessas ocasiões, costumamos ouvir após os shows testemunhos que ficam guardados por muito tempo, que revitalizam nossas almas de roqueiros, nos fazem acreditar que estamos no caminho certo. Um desses testemunhos que mais emocionaram veio do próprio Luiz Calanca. “Eu já gostava do disco de vocês, mas o show é diferente. Faz a gente se sentir mais vivo, faz o nosso trabalho valer a pena.”

Puxa vida, muita responsa tocar para alguém que já viu de tudo nessa estrada do rock, que está no ofício há tanto tempo, que coordena esse eventos de bandas independentes no centro da cidade aos sábados por puro amor à arte. Um exercício de abnegação mesmo.

Ao final do show, nosso guitarrista Fernando Coelho teve a mesma impressão e veio comentar: Hoje a gente tocou para o Calanca, né?”.   Inconscientemente, nós quarto sabíamos da importância de tudo aquilo, de estarmos ali na vitrine do rock, tocando para o povo da nossa cidade, testando nossa música,  nosso canal de comunicação, nossa empatia, nossa capacidade de transformar corações e mentes através do rock.
Foi uma experiência cheia de lições, recompensas e infinitamente divertida.


*Gustavo Garde é vocalista do Seychelles (sey.art.br)

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