Qui 19 Out 2006

Os oitenta anos de Chuck Berry

por Equipe Rockwave

Chuck Berry completou oitenta anos essa semana. Um cara que conseguiu o que ele conseguiu já poderia ter encerrado a carreira há pelo menos trinta anos, mas não Chuck. O cara que inventou o duck-walk, que toca guitarra como se fosse um sino, acha que ainda tem muito a dizer e fez seus shows aqui e ali e não para de dizer que esses shows é que o mantém vivo. Não pense que Chuck Berry é um cara que vive do passado, porque no começo do ano que vem, ele lança seu primeiro disco com material inédito em 20 anos. O pianista Robert Lohr, que toca em sua banda, acha que o novo disco vai surpreender bastante gente. “É um Chuck Berry meio Ray Charles, música gospel negra com country”, diz Lohr que aponta uma música chamada “Big Boy” como grande destaque. Se a festa de seus 75 anos foi um arraso, com participação de Stevie Wonder, James Brown, Aretha Franklin, Ray Charles, David Bowie, Bo Diddley entre vários outros, a festa de 80 anos será completamente diferente. Em cerimônia bem íntima, ele vai servir um jantar para seus amigos e, depois, faz um show no Duck Room do ar Blueberry Hill, que fica em Saint Louis, onde Chuck Berry se apresenta uma vez por mês desde 1996, reunindo visitantes do mundo inteiro. De uns tempos pra cá, ele vem sendo acompanhado no palco por dois de seus filhos, Charles Berry Jr. (na guitarra) e Ingrid Berry Clay, que canta e toca gaita. Quem vê os shows não diz que o sujeito tem 80 anos. A não ser por uma ou outra ocasional falha de memória, que faz com que ele esqueça um trecho da letra de uma música que ele cantou milhões de vezes, mas Chuck mesmo ri disso e faz com que a platéia ria também, mostrando que a sua mente está em plena forma. “Tudo bem que ele erre. Ele pode. Ele tem 80 anos”, diz Jim Marsala, baixista que acompanha Chuck faz 33 anos. Fora do palco, Berry é bastante reservado e, quando não está na sua casa, no subúrbio de Saint Louis, está em sua fazenda, chamada Berry Park, onde relaxa fazendo toda a espécie de trabalho braçal que conseguir fazer. Ele não dá entrevistas e deixa que sua música fale por ele. A única exceção foi quando morreu – aos 80 anos – seu antigo parceiro, o pianista Johnnie Johnson, em abril do ano passado. Na ocasião, ele disse que sentiria falta do amigo e de sua música, mas não estava melancólico com a perda. “Minha vez vai chegar logo mais. Você derramaria uma lágrima por Chuck? Espero que não porque eu não vejo porque alguém deva lamentar quando algo tão inevitável acontece. Com 78 anos, estou feliz em estar em qualquer lugar a qualquer hora”, disse ele. John Lennon exclamou “se o Rock in Roll tivesse outro nome, esse nome seria Chuck Berry”

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