Seg 13 Jul 2009

Dia Mundial do Rock 2009

por Equipe Rockwave

Antes de falar de 2009, vamos voltar um pouco no tempo. Só dez anos,
nem precisa muito mais que isso. A intenção não é chegar lá em 1985,
com o Live Aid, quando começou-se a falar de Dia Mundial do Rock.

Vamos só até 1999.
Em 1999, depois de quatro longos anos de serviços prestados à então
Rádio Rock do Brasil, me mandaram embora. Fui mandado embora,
praticamente, por trabalhar demais. Depois de tanto tempo trabalhando
no mesmo lugar, você imagina o que aconteceu. Juntando fundo de
garantia, com a grana da rescisão e tudo mais, a coisa toda deu numa
grana que dava pra comprar um carro, ou dar entrada em uma casa – o
que fosse.

Não fiz nem uma coisa nem outra.
Eu tinha um carro em 1999 e, embora pensasse em sair da casa dos meus
pais, não seria uma boa fazer isso naquele momento e na condição de
desempregado.
Comprei um computador.
Seria o meu primeiro.

Logo depois, no dia 3 de julho de 1999, fomos, minha irmã
aniversariante e eu, fazer compras no centro de São Paulo.
Isso significava Galeria do Rock e, mais propriamente, isso
significava “London Calling”, a loja do Walter, que sempre teve tudo que eu
sempre quis.

Lembro que eu gastei, no computador, coisa de 2 mil reais.
Naquele dia, na galeria, eu devo ter gastado pelo menos isso em lojas
avulsas da Galeria. Só na London Calling, eu gastei 800 pau. Isso,
hoje, paga meu aluguel. E eu gastei tudo em disco. Discos que eu tenho
até hoje e não me arrependo nem um pouco de ter comprado.
Era uma merda ser jonalista de rock em 1999 por causa disso: você
precisava ganhar bem pra caralho pra comprar os discos que queria e
dependia da boa vontade das gravadoras pra saber dos artistas, pra
falar dos artistas, pra ouvir os próprios discos que eles queriam
divulgar.

Um ano depois, eu instalei um tal de Napster no meu computador e meu
mundo nunca mais foi o mesmo. Eu queria ouvir The Contortions? Eu
podia. Eu queria falar sobre o disco novo dos Manic Street Preachers?
Eu podia. Eu queria saber que tipo de som, afinal, fazia Diamanda
Galas? Eu podia – isso ia fazer com que o Léo, que dividia sala
comigo, tivesse ataques histéricos cada vez que Diamanda começasse a
gritar, mas que eu podia fazer isso, sim – eu podia.
Dez anos atrás, a música – bem ou mal – ficava mais democrática,
ficava mais fácil.

Dez anos depois, nego ainda me para na rua pra fazer a mesma pergunta
besta de sempre: “como você achou a banda tal?”.
Eu achei ouvindo, achei trocando idéia aqui e ali com pessoas que tem
gosto parecido com o meu ou que, pelo menos, sabem qual gosto é o meu.
Achei chegando mais cedo pra ver o show de abertura. Achei saindo na
chuva pra ver três bandas sujas fazendo o diabo no Inferno. Achei
pulando de página em página aqui no Rockwave, ouvindo e baixando tudo
que me pareceu legal.
Tá tudo pronto.
É só vir pegar.


Por isso, não te desejo um feliz Dia Mundial do Rock.
Ele já nasceu assim, feliz.

Fernando Tucori
editor-adjunto

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