Sex 31 Jul 2009

Daniel Bernardinelli entrevista Marco Verde baixista da banda Manjaro

por Equipe Rockwave

Daniel Bernardinelli num papo descontraído com Marco Verde baixista da banda Manjaro.

A produção musical é um assunto muito abrangente, que deve ser discutido com muita coerência. Quando somos convidados para a realização de um projeto, seja ele um álbum ou apenas uma música, assumimos o compromisso de cuidar não apenas da música, e sim de algo ainda abstrato que se analisado como um sonho em que nos confiaram a realização, entenderemos melhor o grau de responsabilidade e importância do produtor musical.Estar sempre aberto às novidades e ser receptivo à captação dos detalhes que existem apenas na mente do seu idealizador inicial, seja ele o compositor, cantor ou mesmo uma banda, é imprescindível.
     
Por isso em vários momentos precisamos deixar de lado o nosso gosto pessoal e tentar compreender e explorar mais esse outro universo. Não quero dizer com isso, que não devemos
imprimir a nossa marca, isso acontece naturalmente e sem imposição, mas embora isso aconteça,devemos ter o cuidado de preservar a identidade do artista, analisando bem o seu perfil e colhendo o máximo de informações do seu gosto musical e suas pretensões no trabalho. Compartilhar do gosto musical do artista, tornam mais fáceis e prazerosas todas as fases da produção, pense nisso. O primeiro e grande passo é a escolha do repertório. É recomendável analisar um grande número de composições para que seja feita uma boa seleção e se for possível até testá-las ao vivo, avaliar bem a relação entre os seus conteúdos é muito importante, não seria bom ter um repertório
sem pé nem cabeça, até a sua ordem conta.

     Concepção musical, nesse ponto precisamos redobrar o cuidado para não repetirmos incon-
cientemente formulas já usadas em outros trabalhos, como por exemplo ao mostrar o resultado final
a pessoas que não participaram de nenhum dos processos criativos, ouvir comentários do tipo: "Nossa parece aquela banda..", "que legal essa batida, igual a daquela música...", isso seria um desastre, pois o produtor é contratado para ser criativo, e como criar é um dom natural, seja criativo e use a imaginação. Uma idéia interessante nesse ponto de partida é criar o hábito de solfejar imaginando instrumentos e timbres diferentes para uma mesma frase musical. Outra idéia é solfejar uma batida imaginando uma bateria com suas infinitas variações de timbres acústicos ou eletrônicos,
o tipo de sala para a sua captação, se grande e reverberada ou pequena e seca, tudo isso contribui para o resultado final ser o mais próximo do esperado.
     Bem, agora podemos começar a gravar. Hoje em dia com evolução tecnológica, podemos
usar métodos diferentes de se iniciar uma gravação, a depender do estilo e nível dos músicos
podemos gravar a base ao vivo( método muito usado antigamente mesmo em gravadores múltipistas ) para captar nuances e a emoção de estar tocando junto, assim a música fica mais solta, o único problema nesse método é que temos que saber administrar os vazamentos, como por exemplo: ter cuidado com o volume de um amplificador de guitarra ou baixo na mesma sala que a bateria, ou instrumento de percussão muito estridente e gravar a voz guia na técnica. O método mais utilizado hoje em dia é gravar canais guia com metrônomo, instrumento de harmonia, voz e um instrumento solo, o qual nos dará maior noção das partes da música, nos apontando a introdução, solo e a finalização. O toque que dou nessa etapa é escolher muito bem o andamento e ser bem preciso na gravação das guias, vale até editar convenções e batidas, o importante mesmo é que a guia facilite o trabalhos dos outros músicos.

     Escolha do músico. Lembrando sempre que o mais importante é o resultado final, a escolha do
músico não é muito difícil mas devemos adotar alguns critérios, exemplo: Escolher músico que se encaixe bem ao(s) estilo(s) da(s) música(s) e que tenha instrumento(s) com timbre(s) adequado(s) ao(s) estilo(s), outro fator importante é o relacionamento, o bom músico soma ao trabalho sem impor as suas idéias, acatando e respeitando o produtor, afinal se der errado quem é o responsável? Manter um clima agradável e descontraído contribui muito.
     Escolha do estúdio e do técnico. Hoje a febre do momento é que todos somos produtores e
técnicos, mas é possível avaliar o que se adéqua melhor a sua necessidade, começando pela audição
de trabalhos feitos no estúdio, passando à verificação das características da sala de gravação e equipamentos disponibilizados pelo estúdio, como a interface de gravação, prés, amplificadores e microfones disponíveis, lembrando que quantidade não necessariamente significa qualidade. Mais vale um pequeno jato que um grande avião cargueiro. E o técnico? bom esse aí é muito importante, qual a sua experiência, quais estilos já gravou, o que gosta de ouvir, esse cara aí pode contribuir muito com a sua experiência, se este for comunicativo, pode dar toques quanto a timbres e ser criativos na mixagem, é a segunda pessoa a receber os elogios ou levar a culpa depois do produtor, valendo avaliar também o quesito relacionamento.

     O último passo depois de gravar e mixar é a masterização, se você puder e o dinheiro der, procure o profissional melhor equipado e experiente com bons trabalhos nessa área, ele pode corrigir e acrescentar muito à sua mix, mas confie sempre no seu gosto e bom senso, afinal você é quem mais sabe o resultado que pretende atingir.
     Bem, esses são os meus pontos de vista. O objetivo dessa matéria é apenas dar uma luz a
quem está se iniciando na produção musical, sou músico desde criança e técnico desde 1996, comeceia produzir creio eu que por volta do ano 2000, hoje tenho uma grande discografia e experiência para compartilhar com os colegas. Sucesso a todos!!!

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