Qui 21 Mai 2009

Bruzundanga musical

por Equipe Rockwave

Para inaugurar esta coluna aqui no Rockwave, falarei um pouco sobre o mercado musical atual. Como as bandas independentes podem usufruir da mudança na forma de consumo da música para consolidarem suas carreiras.

Mesmo com os números animadores de 2008, em relação a 2007, a ABPD - Associação Brasileira de Produtores de Disco Associação Brasileira ainda não retomou o faturamento de vendas como do ano de 2000, quando atingiu R$ 891 milhões, quase três vezes o faturamento do ano passado, ou seja, a venda de CD ainda não se revigorou depois da ascensão do compartilhamento virtual de canções e trocas de arquivos, que possibilitam o acesso da massa a obra artística a custos ignorados. Como revelou Chris Anderson (A Cauda Longa), os arrasa-quarteirões continuarão vendendo, porém em escala menor, uma vez que artistas menos badalados e ignorados pela grande mídia (Ditadora de Tendência) competem por igual.

Ou seja, de um lado a queda de participação dos artistas construídos por grandes multinacionais e do outro o aumento da participação de artistas independentes, que muitas vezes investem 0,5% do total gasto pelas majors. Com isso, criam-se duas situações distintas, a tentativa de controle do mercado independente por grandes grupos almjando aumentar o leque de lucro e de outro a profissionalização de grupos independentes criando possibilidades de lucratividade.

É fato, que há alguns anos, a suposta cena underground, didaticamente dita como o ambiente em que subculturas mantém seus espaços, é nada mais que um laboratório da Indústria Cultural, um mercado modelo, aonde experiências são feitas para detectar a viabilidade de determinado produto, que pode ser uma banda, o visual, o comportamento, entre outros variados fatores que contribuem para identificar o comportamento do consumidor – principalmente composto de adolescentes, uma faixa muito lucrativa. Os empresários e muitas vezes os próprios músicos começaram, principalmente em SP, identificar o surgimento de um fenômeno que acontecia no resto do mundo, a constituição de um novo público consumista, os jovens alternativos. A explosão sinérgica de bandas de cena para o mercado de massa possibilitou que, cada vez mais, indivíduos começassem a se identificar com o circuito alternativo de música e a participarem fervorosamente deste novo nicho, o que teoricamente agradou a todos. Uma vez que estimular uma tendência já existente no submundo cultural e trazer para ele novos consumidores, em amplitude gigantesca, construiu uma nova forma de cartel, aonde selos, produtoras e marcas teens nadam de braçada em números muitos lucrativos.

Na pequena cidade de Rio Claro, um show de uma banda conhecida só por este subgrupo registrou nada menos que 418 pagantes num bar com a faixa média de ingresso a R$ 10, ou seja, esta rentabilidade contribui para o fortalecimento de uma mini-indústria cultural dentro da cena underground. Hoje, não é difícil você observar, nesta cena, o cachê de bandas entre R$ 1.000 até R$5.000 e suas respectivas agendas cheias. Bem, o mais importante desta constatação é que uma banda pode, evidentemente, usufruir desta profissionalização para garantir seu rendimento mensal e construir aos poucos uma carreira consolidada, sem ter que assinar contratos absurdos, vender ingressos ou mesmo pagar para tocar. Até a próxima!

 
Foto crédito: http://sdk4ever.org/mapa-da-cena-musical-brasileira/

Antonio Ó Urso é publicitário, jornalista e músico independente desde 1.998. Atualmente é integrante fundador da banda Delunes (www.delunes.com) e percussor da literatura inexistente no Brasil (www.poesiasnonsense.blogspot.com).

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