Qui 04 Jun 2009

A noite que toquei com o Fistt

por Equipe Rockwave

Por Marcel Jabbour

Liguei para o meu amigo Luiz Gallo e fui claro: não conseguiria ser imparcial neste caso. Como fazer a resenha de um show de uma das suas bandas favoritas? Ainda mais quando fui chamado pra tocar uma música com os caras?

 

Foi assim que uma resenha jornalística imparcial transformou-se num relato pessoal de um fã realizando um sonho. Não lembro quando nem em quantos shows do Fistt eu fui. Mas não me esqueço qual foi a primeira música que ouvi deles: Hardcore na Veia, do primeiro EP da banda, “Pámim, Pánois, Pôceis” (1999). Para mim, tudo começou nessa música. E muito ainda viria através dela.  

 

Antes de subir ao camarim do Hangar 110, iria apenas acompanhar o show da plateia. Todavia, o Gallo conhecia o pessoal da banda, então subi para conversar com eles. Entre uma cerveja e outra veio a proposta do próprio F.Nick, baixista e vocalista da banda:

 

- Você toca, né, Marcel? Quer mandar uma com a gente?

 

Travei.

 

Obviamente aceitei a proposta, lembrando junto com Mirtão (guitarrista) os acordes daquela primeira música. Sim, eu tocaria Harcore na Veia com o Fistt.

 

Como se não bastasse, pude acompanhar o show atrás do palco, vendo de perto toda a movimentação da banda.

Após a abertura das cortinas, o Fistt já emenda três petardos. Vinteum, Garrafas e Minduim, de uma vez, já mostram o cartão de visita da banda: no som, hardcore simples e direto; no palco, muita presença e disposição.

 

E claro, não podia faltar o bom humor e as piadas de F. Nick, Mirtão, Crildo (guitarra) e Léia (bateria).

 

Na segunda parte do show, a banda emenda uma sequência só com músicas de seu último álbum, o “Como Fazer Inimigos (2008)”. Nesse momento do show, percebe-se o porquê esse CD superou a marca dos 70 mil downloads e plays no site dos caras. Entre Aquecendo, Pobre F. Nick, Continuar e a excelente Carnaval, o público cantava junto e agitava com o grupo.

 

Nesse trecho, o Nick aproveita para comunicar que aquele seria o último show de Crildo, e anunciar a chegada Karacol (ex-Sugar Kane).

 

Ao lado do set list, podia ver a minha hora chegando. Eu tocaria a 13ª música do dia, torcendo para que esse número cabalístico me desse sorte. E deu. Quando Nick soltou as palavras “punk rock na área, hardcore na veia”, vi Mirtão olhando pra mim, indicando que eu pegasse sua guitarra e seguisse a partir dali.

 

Foram quase dois minutos, que na minha percepção duraram muito mais que isso. Intensos. O que restava da minha imparcialidade jornalísitca foi para longe, escondendo-se em algum lugar da minha mente onde estavam as memórias de todas as vezes que ouvi uma música ou fui num show do Fistt, na Tribe House, no Black Jack ou no próprio Hangar.

 

Quando soltei a última nota Mi da música, Nick me agradecia. Lógico que os papéis estavam invertidos. Definitivamente não era ele quem deveria agradecer.

 

Devolvi a guitarra pro Mirtão e segui no fundo do palco, ouvindo as últimas músicas do show, entre elas Paraotempo, Na Madrugada, Finais Iguais e Menininha.

 

Natural que nesse último trecho eu ainda digeria tudo que tinha acontecido ali, tão rápido. Como a noite em que eu ia fazer a resenha de um show tinha se transformado daquela maneira? Não sei. Só sei que não vou esquecer da noite que eu toquei com o Fistt.

Fotos de: Andreh Santos

Quer conferir o som do Fistt? Entre na página dos caras aqui no Rockwave: http://www.rockwave.com.br/bandas/fistt/

 

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