Ter 16 Fev 2010

9º Maluco Beleza Fest – Pousada do Canyon Guartelá

por Equipe Rockwave

Por Ju Ramone

Preciso de uma caneta e papel, ou um gravador, ou coisas assim para quando sair de casa. Quem sabe, de repente posso encontrar em meu caminho pessoas fascinantes! Conheci várias delas, mas teve uma que marcou mais. Infelizmente eu não tinha nada para anotar, então vamos ver se posso contar com esse recurso orgânico, um rec player em meu cérebro chamado memória... andou comendo a fita esses tempos, mas talvez um pensamento positivo ajude a não comprometer a qualidade da gravação!


Sempre conheci um pouco da obra de Raul Seixas, assim como boa parte das pessoas que nasceu nos anos 80, e presenciou em sua infância momentos na TV em que Raul era notícia, ou chegava à casa de algum amigo de seus pais e lá estava tocando Raul, ou seus próprios pais às vezes ouviam um disco dele. 

 

Soube que neste ano a Paranóia (Curitiba) seria a banda principal do "9º Maluco Beleza Fest", na Pousada do Canyon Guartelá (Castro-PR), nos dias 06 e 07 de março. Convidei um casal de amigos e fomos para lá com a excursão organizada pela Geração Alternativa Rock Club e a banda - que vinha de shows desde quarta-feira, o que não afetou a qualidade sonora e disposição dos caras. A viagem de ida demorou um pouco (quase 4h para o que levaria cerca de 2h30min), mas foi divertidíssima, sem faltar, é claro, um violão e letras na ponta da língua (tinha até Catuaba sendo servida em um Erlenmeyer). No caminho, pudemos ver pela janela Florestas de Araucárias (e também as ameaças que vêm sofrendo com as monoculturas ao redor).  Ao chegarmos à pousada, pudemos fazer parte daquela imensidão verde, com suas perfeitas falhas geológicas e diversas tonalidades da natureza. Já na entrada, havia um monumento do Raul e quadros contando sobre a história do Fundador de seu 1º Fã-Club (Raul Rock Club) e consequentemente grande amigo: Sylvio Passos. Sem contar as curiosas instalações, capazes de te transportar - com um número X de passos a mais ou a menos - para uma outra percepção... enfim, um local que uniu a grandiosidade da obra de Deus, com passagens históricas da humanidade.

 

Todos arrumaram suas barracas e tudo mais enquanto os músicos passavam o som. Bem, tenho que confessar que tive que dormir por umas 2h neste momento, mas quando acordei, ouvi uma voz que ainda não conhecia, mas pela recepção do pessoal pude ouvir que se tratava, em carne, osso e Raul Seixismo, de Sylvio Passos. Sabia pouco sobre sua história, apenas da clássica sobre como conheceu nosso protagonista. (Sylvio é um colecionador nato. Na década de 70 fundou fã-clubes de bandas como Led Zeppelin, Jethro Tull, King Crimson. Nesta transição entre os 70 e 80, conheceu o rock nacional. Começou a colecionar material sobre Raul e um dia, conseguiu contato com Luis Antonio (presidente do Beatles Cavern Club) que passou o telefone e endereço do músico. Quando ligou, o próprio Raul atendeu. Sylvio se identificou e Raul (estava tão bêbado) achou que era o Silvio Santos e disse que topava aparecer no programa. Quando soube que havia sido feito um fã-club para ele, convidou Sylvio para almoçar em sua casa, e a partir de então começou uma sonhada relação de identificação e amizade entre um fã e seu ídolo*).


Saí da barraca, nos cumprimentamos mas não conversei com ele neste momento, afinal ele havia acabado de chegar ao nosso camping, estava no meio de amigos, não em um interrogatório para sanar minhas dúvidas (mas que tive vontade de bombardeá-lo de perguntas... ah, isso sim!). Do acampamento, pude ouvir que o show estava prestes a começar, então fui guiada pelo som até chegar ao palco aberto montado "lá em cima, lá na beira da piscina".


A banda abriu o show com "Coisas do Coração" e ninguém conseguiu ficar parado ou sem cantar junto. Foi realmente contagiante. Subi ao palco para fazer uma participação nos backings de algumas músicas e tive o privilégio de fazer parte de duas realidades em um show: curti-lo como público e como banda. Entre as músicas rolou um quizz, regido por Marlos (vocalista) e mais tarde por Sylvio, obviamente sobre a vida de Raul Seixas, com premiações aos acertadores!


Foi feito então um intervalo e, pessoas responsáveis pela idealização, união e acontecimento deste e de outros eventos similares que ocorrem pelo Brasil, foram homenageadas, ou foram ao microfone deixar suas palavras de agradecimento, e ressaltar a importância de manter viva a memória de Raulzito. Dentre essas pessoas estavam: (o já citado) Sylvio Passos, Fabiano "Batata" (presidente do GARC),  Guedes (o dono da pousada que tem organizado a festa e sempre recebe a todos de braços abertos). A cobertura da mídia ficou por conta da rádio Mix FM de Ponta Grossa - PR, que promoveu uma irreverente atuação do presidente "Lula" apresentando a banda Paranóia.

A banda retomou o show e prosseguiu tocando desde as mais conhecidas como "Gita" e "Metamorfose Ambulante", até canções do lado Z (segundo Silvícola - como era chamado por seu ídolo e amigo).


Como o show não pode parar, quando a banda se despediu deste dia, os guitarristas (Fabio e Casulo) cederam seus instrumentos para outros Raul Seixistas. Marlos fez o mesmo com o microfone. Rossano e Marcão (baterista e baixista) continuaram por mais um tempo acompanhando o pessoal que nunca cansava de participar. 

 

À noite, fizeram uma fogueira, havia rodas de violão por várias partes da pousada. Não existiam mais pessoas que não se conheciam! Volta e meia surgiam gritos: "Toca Raul!!!" e o pedido era então prazerosamente executado. Quando começaram a repetir algumas músicas, fui dar uma volta com novos amigos! Pela escuridão, encontramos um caminho alvo, iluminado como se fosse por luz negra, mas era o aspecto que dava ao reluzir das estrelas. Chegamos ao Templo do Rei Salmão, entramos pela Porta Entre os Dois Mundos, pirâmide do Ponto Egípcio, fomos até o Círculo Místico dos Druidas, voltamos para o Jardim das Estátuas, e Mata Fria. Outras atrações como o Homem se Esculpindo e Mistério de São Francisco também foram visitadas. Fizemos o caminho até um de seus destinos que levava à saída dessa parte mística. Precisávamos ficar mais uns dias para que pudéssemos desfrutar de tudo que a pousada oferece.


Voltei à fogueira e ouvi pela 4ª vez "Meu Amigo Pedro". Queria escutar "Canto para a minha morte", mas não é tão fácil para ser tocada em uma roda de viola, sem compromisso! No entanto, ninguém saía de lá sem ter o seu pedido atendido.


Na manhã seguinte, enquanto dava uma volta por outro acampamento, escutei essa música vinda de um carro.


Domingo nublado, logo o tempo abriu e se tornou aquele lindo dia de sol, como o anterior. Desmontamos as barracas e fomos então, rumo à finalização do evento.

Neste dia, a banda subiu ao palco para sua última apresentação na festa. Permaneci no palco e vi o pessoal do GARC numa parte alta, próximo aos toboáguas, e o refrão da música "Judas" casava em partes com o momento.


Esse show foi mais curto que o de sábado. Na reta final, o pessoal ainda estava sedento por "mais 13". Precisávamos retornar à Curitiba, mas mesmo que fossem executadas 13 músicas, haveria pedido de mais e mais e mais!


Desci do palco e fui até Sylvio. Recebemo-nos com um abraço espontâneo. Tiramos fotos (sem querer até um videozinho pré-foto) e logo começamos a conversar como se já nos conhecessemos há tempos. Não precisei ficar perguntando nada como um paparazzo, ou uma fã enlouquecida. Ao longo da conversa, foi fácil perceber que a dedicação e determinação na vida desse cara, a forma de ver, agir, lidar com tudo à sua volta, as coisas que (ele) tem a lhe dizer... são tão fantásticas, que as dúvidas iniciais acabam se transformando em indescritível admiração.


Na volta, tive o prazer de tê-lo sentado ao meu lado. Fomos conversando boa parte do caminho. Todos estavam cansados, mas alguns não pareciam tanto. Maior bagunça no fundão! Como uma excursão de Maluco Beleza que se preze, o onibus foi parado pela polícia. Acho que eles devem ter algum radar para dar um susto quando desconfiam que ainda haja pessoas que se divirtam.


Voltei para Curitiba trazendo na bagagem mais do que roupas, barracas e cobertores... trouxe no corpo uma camiseta do GARC e na alma a paixão e o saudosismo da família Raul Seixista.

 

... e TOCA RAUL!!!!


Apoio/Agradecimentos


- Sylvio Passos/Raul Rock Club

- Banda Paranóia

- Geração Alternativa Rock Club

- Pousada do Canyon

- Rockwave

- Mix FM

- Ao motorista da excursão

- Todos que estavam lá e contribuíram para que a festa fosse maravilhosa!
- À você que está lendo!


Referências:

* Confira na íntegra as entrevistas no site http://www.raulrockclub.com.br/

 

http://sylviopassos.spaces.live.com/

 

http://www.geracaoalternativa.webs.com/

 

http://cantinadorock.blogspot.com/2009/01/sylvio-passos-raul-rock-clubpreservando.html

 

http://www.pousadadocanyonguartela.com.br/

 

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