Sex 06 Ago 2010

É NOIS IN THE TAPE – Pérolas do dia-a-dia no estúdio de gravação

por Marco Verde

A vida é cheia de surpresas boas ou ruins, e é de se esperar que em um ambiente freqüentado por seres extremamente sensíveis como os músicos, aconteçam coisas engraçadas e até absurdas. Frases como: "Conserta na mixagem", "põe mais peso no som" são tão corriqueiras que já não contam, mas separei alguns fatos que me surpreenderam de alguma forma. Vou começar com o título do artigo.
Durante a gravação de um grupo de rap percebi que o cantor cortava o “S” nos finais de frases que estavam no plural, então pedi ao parceiro do repper que estava ao lado para avisá-lo, daí saiu a seguinte pérola: "Mano, olha os prural, você ta cortando os prural", então o repper respondeu:"Só mano, valeu, é tudo pela orde, é nois in the tape". Concordo que no rap tem tudo haver a linguagem informal, mas daí a cortar os prural é muito pra minha cabeça.
Outro fato engraçado e ao mesmo tempo triste aconteceu numa gravação que um colega fez, após ter preparado o estúdio ele solicitou à banda punk que afinassem os instrumentos para começarem a gravar, e obteve a seguinte resposta: "Rock'n roll é assim mesmo, é desafinado". Não concordo, mas apoio a atitude do colega de deixar que gravassem desafinado, afinal a escolha não foi dele. É comum a gravação de banda sem um produtor musical ser conturbada e principalmente sem consenso na mixagem, porque cada integrante quer destacar mais o seu instrumento, vira uma bagunça.
Ouvi um absurdo que me deixou de cabelo em pé, insatisfeito com o tempo que teria que esperar na preparação da sala para a gravação de última hora de um grupo de choro, enquanto esperava na recepção, o produtor aproveitava para criticar o processo de gravação no Brasil: "Certa vez fui gravar num estúdio em Nova York e cheguei 15 minutos antes do horário programado, então os músicos entraram em cabines e de cada uma desceu um microfone do teto equalizado por computador, e começamos a gravação no horário". Acho que esse aí viaja para Nova York de disco voador.
São tantos acontecimentos que daria para escrever um livro, frases do tipo: "Estúdio é igual encanamento, se você despeja merda lá caí aqui", após gravar o cantor disse: "essa não é a minha voz". Uma vez quase apanhei de um pastor evangélico apenas porque precisava encerrar a sessão, e houve outro que no dia de pagar a conta disse: "A noite conversando com o Senhor, ele me disse que você está cobrando muito caro", mas não perdi a oportunidade de responder a altura: "Pois é, eu conversei hoje cedo e ele me disse que estava tudo certo".
Conclusão, quer rir vá a um estúdio de gravação, mas vá com o coração aberto porque é uma grande caixa de surpresas.

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