Qui 09 Out 2008

A volta dos que nunca foram

por Caco Strauss

Se vocês soubesse o aperto no coração que me dá ao escrever estas linhas...sabe aquelas oportunidades que se você deixa escapar... certamente vai precisar mais umas dez encarnações pra ver o bonde passar de novo. Eis que minha profecia se tornou realidade. Depois de um longo período de espera, uma das minhas bandas favoritas resolveu aparecer por aqui, graças ao dólar barato.

Direto da ilha da rainha, Muse iria apresentar em São Paulo um dos melhores shows do mundo, eleito pela famigerada revista Rolling Stone. Eu já estava com ingressinho de pista tinindo, reluzente, em mãos, pronto para degustar tudo que o Radiohead gostaria de ser, mas os marcianos não deixaram!!! Matthew Bellamy é um virtuoso que esmerilha tudo que toca. Pianista clássico, guitarrista de primeira, letrista inspirado e com uma voz poderosa que vai da mais pura delicadeza ao agudo quebra-cristal.

Acho que quanto mais ansioso você fica para um determinado evento, mais aparece a voz de Murphy te dizendo que algo vai dar errado. Digamos que deu errado em termos. Por conta de uma coincidência imensa, meus filhos nasceram na época do show. Certamente, a alegria de tê-los comigo sobrepõe a qualquer coisa. Mas, sabe aquela pontinha....aquela sensação da volta dos que nunca foram...pois é. Narro aqui um show que não fui, mas escalei um representante pra me lembrar sempre do que eu perdi. Sofrer é uma arte.

Gui Becker, nosso outro colunista, vai contar com detalhes o que aconteceu naquele fantástico dia, em que as luzes de São Paulo se tornaram mais brilhantes para receber um das bandas mais interessantes da atualidade. Isso me faz lembrar outros shows memoráveis que acabei perdendo por puro desleixo, falta de senso de oportunidade, ou azar mesmo: as duas vindas do U2, Paul McCartney, INXS antes da morte de Hutchence, Dave Matthews Band na sua primeira visita à São Paulo (com direito a sanduichinhos servidos por Sílvio Lancelotti), Bush escondido em uma noite no Olímpia, Soul Asylum na sua época mais ativa, Kiss mascarado, último show do Iron Maiden no Palestra Itália, Aerosmith em 93, Foo Fighters no Rock in Rio III, entre outros que não consigo me lembrar.

O importante é seguir a vida e continuar de olhos abertos ao que o universo nos proporciona. O recado que fica: arrependimento não mata, mas castiga. Ainda mais quando você tem um amigo sacana que faz questão de frisar que este foi um dos shows de sua vida...lógico, ainda mais vindo de bandeja pra quem provavelmente estaria de cuecas tomando cerveja e assistindo a reprise de Pantanal. Eu troquei “Plug in Baby” por Pantanal!!!!

Só pra não perder o costume, segue o set list do show de São Paulo: Knights of Cydonia; Hysteria; Bliss; Map of the Problematique; Supermassive Black Hole; Butterflies and Hurricanes; Citizen Erased; Feeling Good; Invincible; New Born; Starlight; Time Is Running Out; Plug in Baby; Stockholm Syndrome; Take a Bow.

Caco Strauss é colunista Rockwave e espera um agradecimento formal de seu fiel escudeiro


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