Sex 02 Jun 2006

A volta dos que nunca foram

por Guilherme Becker

Tem certas tendências na música que uma vez criadas, nunca serão enterradas. O hard rock clássico é uma delas. Criado pelos britânicos Black Sabbath, Deep Purple e Led Zeppelin há quase 40 anos, o gênero parece agora ressurgir com força total graças aos lançamentos que estão sendo lançados no mercado rock dos EUA e Europa. Pra ser mais direto, estou me referindo ao trio australiano Wolfmother (Sidney, 2004) que parece ter aprendido muito bem as lições deixadas pelos vovôs Ozzy, Tonny Yommy, Jimmy Page e companhia. A banda é formada por Andrew Stockdale (guitarra, vocal e cabelo black power num corpo branquelo), Chris Ross (baixo e teclado) e Myles Heskett (batera), todos na faixa de 29 anos.


No seu primeiro álbum, auto-intitulado Wolfmother (Universal Music), o trio consegue arrancar ruídos de guitarras antigas, distorções setentistas, guitarras que acompanham solos de vozes agudas, e um teclado Hammond que mantém o clima retrô. Tudo o que você sempre pirou nas bandas de antigamente, agora com cara nova. À primeira audição, parece realmente tratar-se de algum disco clássico do Sabbath (Sabbath Bloddy Sabbath), Purple, Led ou de algum outro grupo dos anos 60 ou 70, tamanha referência aos ícones do metal.


Eles não só soam parecidos com os dinossauros do rock, como também trazem a mesma vibração do hard rock clássico, uma verdadeira benção nesse cenário apático de bandas mal nutridas como os Strokes. Neste caso não se trata de plágio, mas de uma volta às origens do mais puro rock n’ roll, pra agradar a geração Woodstock e também seus filhos e netos. Se o produto nacional da Austrália fosse fazer riffs, sem dúvida a Austrália seria uma das maiores potencias do mundo. É só lembrar que o Wolfmother é da mesma terra que o AC/DC. Aliás, eles mesmos descrevem seu som um tipo de AC/DC com blues e rock viajante (stoner), psicodélico, num modo existencial. Entendeu?


E pra “entender” um pouco mais a banda, vale a pena entrar no site dos caras: www.wolfmother.com. Acessem também: http://www.myspace.com/wolfmother . Lá estão disponibilizadas quatro faixas: “Dimension”, “Woman”, “Mind’s Eye”, “Love Train”. Destaque para a ótima “Woman”. Outro destaque neste álbum é “White Unicorn” - Viradas de batera a la John Boham, viagens de teclado estilo The Doors e Pink Floyd, levadas de caixa de Deep Purple, e vocais estridentes de Robert Plant e de um jovem Ozzy Osbourne. E por fim um riff muito foda, que arrancaria lágrimas de Tommy Yommy.

Outras bandas que estão na mesma linha revival:

• “Fried Chicken Cadilac” - Drunk Horse. Rock clássico, rasgado e direto. Influencias

• “Lola Live your Light On” – Gov’t Mule. Não se influenciem pelo nome da banda. Apesar de infelizes na escolha do nome da banda, o som dos caras é a essência do hard-rock inglês. Pitadas de Free e White Snake nos vocais e Badlands na guitarra. Que tal, deu água na boca?

• “In Love” - The Datsuns  - mais uma banda australiana, com cara de Sabbath e teclados Deep Purple! Muito bom!

 Quem sabe escutando essas bandas, o leitor aqui entenda um pouco melhor seus pais?

  

Guilherme Becker é colunista Rockwave e ainda espera o convite do Wolfmother para tocar Afoxé, Xequerê e Caxixi na banda.


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